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Uma coisa engraçado sobre nós, seres humanos, é a nossa ilusória idéia de que viveremos para sempre. Claro, sabemos que um dia a vida vai acabar; mas é incrível como evitamos entrar em contato com esta verdade. Com a única certeza que temos em nossas vidas.
Achamos que sempre teremos tempo para viver o que não vivemos hoje, para fazer o que não fizemos até agora. Adiamos nossos planos, deixamos para depois o ato de tomar decisões difíceis, de encerrar relações, de fazer as pazes, de dizer que estamos tristes ou apaixonados. Deixamos pessoas especiais passarem por nós e sumirem de nossas vidas, sempre pensando que teremos o amanhã para nos dar conta dos erros e corrermos atrás do prejuízo.
Evitamos, o tempo todo, enfrentar a única verdade que existe desde que o mundo é mundo: que o tempo passa, que a idade chega, que as rugas são inevitáveis, e que o dia em que deixaremos este mundo também chegará um dia. Se tudo der certo, morreremos com idade, dormindo, para não sentirmos dor. Mas nem sempre é assim. Ás vezes acidentes acontecem; algumas pessoas adoecem e partem ainda muito jovens. Outras têm um descontentamento tamanho com a própria vida que tomam a iniciativa espontânea de abandonar esta existência.
Combatemos o tempo como se ele nos fosse um inimigo. Usamos cosméticos rejuvenescedores cada vez mais cedo. Mulheres não envelhecem, ficam loiras. O número de homens que pintam os cabelos quando estes começam a ficar grisalhos também é cada vez maior. Homens e mulheres correndo atrás do tempo perdido, mais do que por uma questão estética, por uma questão de simples sobrevivência. Que espaço o mundo tem para os velhos?
Crescemos e nos tornamos adulto com esta certeza: a de que viveremos para sempre, que a morte nunca chegará e que podemos fazer o que quisermos hoje, pois sempre haverá o dia de amanhã para consertar nossas burradas, que sempre haverá tempo para nos arrependermos, que sempre haverá um amanhã, ou um depois de amanhã, para sermos felizes. Isso é mentira.
Outro dia estava assistindo um filme com a minha irmã, a respeito do qual ela precisava fazer um trabalho para a faculdade. “Aproveite o dia” era a moral da história. Peguei-me a pensar sobre o significado destas três palavras. Aproveitar o dia é uma coisa difícil. Aproveitar o dia não significa que tenhamos de ser irresponsáveis na busca incansável pelo prazer. Não significa que as ações não impliquem em reações e que não tenhamos de assumir as conseqüências de nossas atitudes de forma responsável. Mas este pensamento, esta filosofia de vida ensina que às vezes o melhor momento de nossas vidas é o hoje.
A cada dia, um novo mundo nasce. A cada dia, as esperanças se renovam, milhares de pessoas nascem e milhares delas morrem. A cada dia pessoas se encontram, se reencontram e se afastam. A cada dia amizades são feitas, outras desfeitas. O dia de ontem já passou e acabou, não há nada que possamos fazer a respeito. O amanhã ainda não chegou, e por isso não temos outra alternativa a não ser esperar; e enquanto esperamos, vivemos o dia de hoje.
Aproveite o dia. Aproveite cada dia de sua vida como se fosse o primeiro e o último; muitas vezes o é. Aproveite cada dia de sua vida, procure apenas se recordar do ontem e sonhar com o amanhã. Aproveite cada dia da sua vida como se você nunca houvesse tido um outro dia. Como se nunca houvesse vivido antes. Faça tudo o que acha que deve fazer exatamente agora.
Este é o momento.
Escrito por F. Mel às 12h44
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Gente!!!
Não sei se alguém ainda passa por aqui, mas se passar, me visitem em meu novo endereço:
www.luckylife.zip.net
Por enquanto não vou deletar esse blog, são tantas pessoas queridas que passavam por aqui e que eu não consigo mais encontrar, ou porque o blog não existe mais, ou porque não atualizam o blog há séculos e não veem mais os comentários.
Me visitem, me visitem, me visitem!!!
Muitos beijos
F. Mel, agora, Lucky Girl!!!
Escrito por F. Mel às 11h27
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SAUDADES DE CASA...
Oi pessoas queridas...
Não sei se alguém ainda passa por aqui, o fato é que depois de mto tempo resolvi entrar e vi vários comentários que eu não tinha visto ainda... e senti saudades imensas de todas.
Estou num momento esquisitíssimo da minha vida... To me sentindo incrivelmente perdida em minhas escolhas... repensando atitudes tomadas, repensando escolhas feitas, repensando caminhos abandonados...
Nossa, me deu até uma dor no coração agora, lendo as palavras de vcs, lendo tudo o que vcs me escreveram e eu não tinha visto ainda.
estou pensando sériamente em voltar prá cá... Nunca me senti tão em casa quanto neste lugar virtual, entre o real e o imaginário, um mundo onde não existem faces, apenas palavras, carinhos e amor...
Quem sabe...
Escrito por F. Mel às 17h22
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MAIS OU MENOS DE VOLTA...
Oi amigas e amigos!!!
Na verdade isto está longe de ser um retorno definitivo, ainda existem muitas peças que precio recolocar no lugar, mas resolvi passar por aqui só prá dizer que amo muito todos vcs, e que fico muito feliz de entrar aqui e ver que as pessoas continuam me visitando e deixando seus comentários...
vcs todos são muito importantes para mim, eu nunca me esqueço de ngm, mas realmente a vida anda corrida, e eu, completamente sem tempo...
estou programando um retorno definitivo, e quando voltar de vez pode deixar que aviso a todas...
amo muito tds vcs, que estão sempre nas minhas orações.
beijos e mais beijos
Escrito por F. Mel às 13h45
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Colhendo...
Oi queridas!!!!
Gente, ando muito sumida né? Tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que anda difícil arrumar um tempinho prá vir aqui... As vezes também me falta a vontade de escrever... sinto que tem tanta coisa acontecendo que seria praticamente impossível conseguir colocar tudo aqui.
Ando bem centrada em mim mesma... e estou adorando tudo isso. Tenho pensado nos meus desejos, nas minhas necessidades, venho pensando muuuuuito... Tentando organizar os miolos, coitadinhos, todos fora do lugar.
Sabem aquele momento do ano em que o azul adquire a tonalidade mais intensa, em que o sol é claro e morno, e a vegetação brilha, começando a dar os frutos anteriormente plantados? É exatamente assim que estou enxergando o mundo neste momento. Pelo menos à minha volta, tudo o que vejo são frutos maduros sendo colhidos, depois de uma época de plantio árdua e muitas vezes doída. Mas está tudo bem, por aqui.
O problema é que somos muito imediatistas... Poucos de nós conseguem ter a serenidade necessária para esperar pela época da colheita, e eu definitivamente venho tentando pertencer a esta pequena categoria. Não tem sido fácil... Não é raro de eu me pegar sentada, olhando para a parede, sem esperar por nada, apenas respirando e curtindo o momento de estar comigo, dentro deste corpo, debaixo desses cabelos, sob essas tatuagens.
Tenho certeza de que estou numa viagem sem volta... Rumo a mim mesma, ao meu interior, em busca desta voz que me diz as coisas mais verdadeiras e mais coerentes que existem. Cada vez mais fundo, cada vez mais denso, cada vez mais pleno.
Estou perdendo a vergonha de ser eu mesma.
Continuo amando vocês, por mais ausente que esteja...
Esperem por mim...
Escrito por F. Mel às 20h22
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Ai ai ai...
Oi pessoas que habitam meu coração!!!

Como estão todas? Espero que bem...
Por aqui as coisas vão mais ou menos... na verdade na mesma. Ainda não encontrei com o Juliano, ainda não consegui esquecê-lo, ainda não consegui parar de comer feito uma porca. Estou putíssima e revoltada comigo mesma por me permitir ficar tão abalada com esse cara que não vale o que come. Fico indignada com o meu vício em rejeição. Como posso continuar a gostar do cara se ele não me dá motivos além dos que já tenho para repudiá-lo???
Enquanto isso, fica o Pizza, um cara da academia, me ligando 10 vezes por dia. Fala que quer ficar comigo, que sente saudades, ontem ficou tentando me convencer a não sair com as minhas amigas e ficar com ele na casa dele, vendo um filme e comendo pipoca. Mas sabem o que há de mais triste nisso? Que eu não acredito em uma palavra do que ele me diz. Estou totalmente desacreditada dos homens!!!!
Ontem a noite saí com duas amigas, a Luli, de quem já falei aqui, e a Mari, outra amiga fofésima minha. Fomos numa balada black, a Luck. Nos divertimos a valer. Eu loira, a Luli morena e a Mari ruiva, definitivamente abalamos Bangu, oferecendo todas as opções... os carinhas vinham e ficavam chamando a gente de As Panteras... Demos muita risada!!! As gatas tatuadas na balada (perco das duas, são 5 minhas contra 7 da luli e 19 da Mari!!!) arrasaram. Mas eu olhava ao redor, via os gatinhos olhando pra mim, e tinha só dois pensamentos... 1- “Que vontade de estar com o Juliano!”, e 2- “Que vontade de transar com todos esses caras!!!”... Por que se eu pudesse escolher, não estaria ali com as meninas, por mais que eu as ame... Mas estaria com o Ju em qualquer lugar...
Daqui a pouco vou para o Ibirapuera, levar o Zero, cachorro de um amigo (que foi para a Espanha e deixou o “filho” sob a responsabilidade dos amigos) para passear um pouco. E nessas vou encontrar o Leandro, um amigo em comum com esse que foi pra Espanha, no parque. Faz tempo que ele me chama pra sair, mas eu não ia por causa daquela história do “ENGANO”, vcs se lembram? De um cara que me deu o telefone e quando eu liguei ele disse que era engano??? Pois é, ele é o Engano. Mas já que estou nessas de “curtir a vida adoidado”, pq não encontrar com o moço??? Pelo menos ele é muuuito gatinho.
Sei lá, nessas fico me sentindo meio vazia. Mas fazer o quê? Ficar em casa chorando por causa de um bostinha hiperproteico e hipocefálico que não ta nem aí pros meus sentimentos? Que está deliberadamente me evitando? NÃO. Não mesmo.
Quem sabe mais tarde eu volte e poste uma foto da balada de ontem...
Beijinhos, e se cuidem. E desculpem esse desabafinho... Mas estou me sentindo bem triste mesmo...

Escrito por F. Mel às 14h27
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SEGUNDONA BRABA
Oi amigas...

Eta segunda-feira de bosta (com o perdão da palavra)... que droga de dia é segunda-feira; saio de casa às nove da manhã e volto só as seis e meia... Pelo menos serviu prá eu não pensar muito.
Apesar da força de vcs, apesar de segundona ser dia de terapia, apesar de tudo isso... ainda não parei de pensar no merda do Juliano. Não consigo nem entender o pq dele ter virado essa obsessão... Na verdade acho que ele em si não era lá muita coisa, mas representou muita coisa, no sentido de mudar atitudes minhas, conseguir controlar minha ansiedade, conseguir manter minha impulsividade sob controle. E mesmo tendo conseguido fazer tudo isso, ainda não foi dessa vez.

Minha terapeuta afirmou hoje, do alto de suas tamancas, que ele sofre de uma grave patologia narcísica. Eu disse que ele sofre é de falta de culhão. Eu não exijo que ele me ame e que queria ficar comigo para sempre, mas sinceridade e honestidade eu exijo. E na minha humilde opinião, ele não foi homem. Não é homem o suficiente para mim. Mas isso não deixa de me soar como o lendário "as uvas estavam verdes"...
Mas uma coisa eu decidi: não vou embarangar por causa dele!!! Vou parar de comer feito uma porca - sim, eu venho comendo feito uma porca desde que tomei o pé na bunda - e investir em mim. Vou malhar, comer direito e ficar ainda mais GALTA, e na hora em que ele me vir, vai ficar puto consigo mesmo por ter me chutado.

E vou continuar saindo com todos os gatinhos que me apetecerem. Minha terapeuta me disse que acha que eu preciso mesmo viver "o outro lado da moeda"... Uma forma gentil e refinada de dizer que ela acha que eu preciso mesmo é transar com caras que eu ache delícias e faze-los de objeto sem o menor escrúpulo.

Resolvi seguir o conselho do meu pai: enquanto o cara certo não aparece, vou saindo com os errados!!! Se eu me arrepender, pelo menos vivi, pelo menos curti, pelo menos aproveitei momentos bons.
Cansa ser palhaça!!!!
Sem mais por hoje, mas continuo amando todas vocês!!!!

Escrito por F. Mel às 19h04
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CAPÍTULO FINAL
Oi meninas lindas...
Em primeiro lugar queria me desculpar pelo sumiço... Muitas coisas aconteceram nos últimos dias, que me deixaram bem triste e deprezinha. Ainda não estou legal, mas sinto que ficarei melhor depois de dividir com todas vcs o que vem acontecendo. Por isso, please, leiam até o final... mesmo que eu precise de dois posts para isso...
Bom, vamos lá. A história do J. está temporariamente suspensa. Até agora não fui capaz de entender muito bem o que houve.. O fato é que depois dos últimos capítulos continuamos saindo... Até que na sexta passada ele me levou para assistir à reestréia da peça da mãe dele. Foi uma noite maravilhosa... mas da qual não gosto de me lembrar.
Ele foi um fofo, me apresentou aos pais e ao irmão como sua namorada... depois da peça teve um coquetel no teatro, a mãe dele foi super gentil comigo, disse a todos (inclusive aos repórteres e fotógrafos que estavam lá) que eu era a namorada de seu filho J., e que era bem mais bonita do que ele havia dito. Depois do coquetel fomos dançar, a noite foi perfeita, e em determinado momento ele começou a me dizer muitas coisas... Que ele se sentia muito bem comigo, que eu era realmente uma pessoa especial em sua vida, que haviam coisas que ele só havia dito para mim (como por exemplo o fato de ele ter sido um gordo bobo na escola, que apanhava de todos os meninos até os doze anos, que havia começado a fazer tatoos para assustar os outros e se defender) e que ele sabia que podia ser para mim o que ele realmente era, que eu era capaz de enxergar sua alma... Eu disse que me sentia segura e protegida ao seu lado, e ele disse que era muito importante para ele saber disso, assim como era importante o fato de eu aceitar que ele tinha um passado (que inclui pacote completo, com ex-mulher e filha)... Que seus amigos me adoraram e que isso era muito importante para ele... Que ele queria dividir todas as suas conquistas comigo, e que desejava que eu estivesse ao seu lado a cada nova vitória...
E no dia seguinte ele desapareceu. Tentei ligar para ele e caía na caixa postal. Depois de duas tentativas desisti, mas deixei um recado. E ele não me ligou. Comecei a ficar maluca, insegura, achando tudo muito estranho, e minha irmã quase endoidou, tentando deduzir comigo o que poderia ter acontecido. Então ele mandou sete mensagens de texto no dia seguinte, contando tudo o que tinha feito no sábado... Liguei para ele e mais tarde no domingo passado passou aqui, mas senti uma energia esquisita, bloqueada. No dia seguinte nos encontramos na academia, ele me cumprimentou normalmente, na hora em que fui embora ele disse que trabalharia até tarde mas que me ligaria. E não ligou. E eu tentei ligar para ele, mas ele não atendeu; e ele não me ligou mais.
Fiquei sabendo por uma conhecida que ele esteve em Parati, em um evento literário, que ela viu uma foto na Folha dele com a mãe. Na quinta a noite ele foi na academia e uma amiga em comum conversou com ele. Disse que ele só me elogiou; disse que eu era uma pessoa muito especial, que ele gostava muito de mim, que eu era linda... mas que não tinha rolado da gente se falar mais. Que tava atolado de trabalho, e que afinal, não me devia satisfações de sua vida – ainda. Ela tentou investigar a possibilidade de ter outra mulher envolvida na história, mas ele negou, e tanto eu quanto ela achamos que se fosse esse o caso ele teria aberto o jogo, porque ele nem imagina que ela me conta tudo que ele fala. Mas ele não disse nada.
Já chorei muito por causa de tudo isso, já me desesperei e roí as unhas, mas me cansei de sofrer. Eu não sei o que se passa dentro do coração dele como homem envolvido na relação, se ele teve uma recaída com a ex, se conheceu outra, se simplesmente se arrependeu de tudo o que havia me dito. Mas como pessoa, achei sua falta de sinceridade lamentável. Muito da admiração que eu tinha por ele evaporou. Muito do carinho que eu tinha pela pessoa J. desapareceu. Mas infelizmente ainda gosto muito dele. Realmente me dei conta de que eu sou muito diferente do resto do mundo. Sou ingênua, acho que as pessoas são sempre boas até que me provem o contrário. Acredito que as pessoas se arrependam e que me merecem uma segunda chance. Procuro nunca julgar alguém, procuro sempre me colocar no lugar do outro, procuro sempre exercitar minha flexibilidade e compreensão. Mas desta vez, sinto em dizer-lhes que cansei. Cansei de ser trouxa, cansei de ser crédula, cansei de ser essa pessoa que por mais que dê, dê e dê, nunca recebe algo semelhante.
Escrito por F. Mel às 21h26
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Continuando...
Diante desse quadro, tenho duas opções: ou eu mudo o mundo, ou mudo a mim mesma. E mudar o mundo neste momento é algo muito difícil, para não dizer impossível. O que melhor tenho a fazer é tentar mudar a mim mesma.
É triste, pois sinto que uma parte de mim está adormecida; a parte de mim que acredita nas pessoas, que acredita na força das palavras, que acredita que todos podem ser bons, está por um fio. Não está morta, mas neste momento gostaria muito que estivesse. Estou cansada... Se outros caras me decepcionaram antes, não chegaram aos pés do Juliano; ele foi o que de melhor me aconteceu até hoje... mas também o que de pior já existiu na minha vida. Se por um lado aprendi muito, exercitei muito o controle e manejo da minha ansiedade, todas as coisas que vcs me disseram... Por outro lado sinto que uma parte de mim se perdeu, entre uma ligação perdida e uma mensagem na caixa postal.
Estou muito magoada e decepcionada neste momento... E tenho procurado outras fontes de apoio para me sustentar. Agradeço muito a Deus por ter colocado uma pessoa muito especial na minha vida, que eu conheci pessoalmente na sexta-feira e que está me dando uma força absurda para sair do buraco. Uma pessoa que com uma proposta que inicialmente parecia um sonho, mas que agora, de certa forma, é a aposta de todas as minhas fichas. Esta pessoa é a Mairinha, não sei se vcs conhecem, mas é minha futura sócia em sonhos que cada vez mais se tornam realidade.
Tenho me comportado de uma forma que não me é muito familiar, mas neste momento estou precisando disso. Fiquei com o Márcio, aquele meu amigo, que tem me dado muito carinho e tem ajudado muito eu e a Maira com nosso projeto. Mas não me sinto atraída por ele... de certa forma sim, de N formas diferentes, mas aquela parada de química não rola muito. Não me sinto aberta a nenhum tipo de contato real, neste momento. Fiquei com ele na quinta, numa festinha. E ontem saí com outro cara... fomos comer num japa e depois fomos na casa dele ver um filme. Não rolou nada demais entre a gente, sexo, nada, mas foi muito bom ficar com ele. Amanhã um outro paquera volta de viagem, e acho que vamos nos ver.
Sei que vcs vão me dizer que esta não sou eu. Eu sei que esta não sou eu. Mas neste momento, é a única coisa que estou conseguindo ser... O que sinto pelo Juliano é algo muito especial, muito mesmo, mas que vou ter que enterrar, de qualquer jeito. Odeio a forma com que ele me fez sentir. Odeio as palavras nas quais acreditei. Odeio a sensação de ter sido enganada, ludibriada, iludida. Mas também sei que existe uma parte de mim que propiciou que isso acontecesse. Na verdade, acho que estou odiando esta parte de mim.
Não gosto de parecer amarga assim a todas vocês, que sempre me dão tanto apoio e incentivo... Mas é a única forma que posso me apresentar agora.
Muito obrigada pela força de todas, sem vocês eu não conseguiria atravessar essa fase negra da minha vida. Mais uma vez, agradeço a Deus por ter colocado pessoas tão especiais assim em meu caminho, para me guiar e me iluminar. Amo muito todas vocês. E prometo que vou tentar mudar. Mais do que tudo na vida, preciso mudar. Nem que isso seja a coisa mais dolorosa que venha a me acontecer. Beijos e mais beijos,

Escrito por F. Mel às 21h23
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HOJE TEM DOIS CAPÍTULOS... VAMOS ABREVIAR A PARADA!!!
Meninas, antes de mais nada queria contar uma coisa muito engraçada...
Eu conheci a Joyce!!! Estava malhando na academia quando uma menina - linda, por sinal - vem me perguntar meu nome, e quando eu disse, ela disse que era a Joyce Peu!!! Amei ter conhecido essa menina, ela tem uma energia muito boa, e ela me disse que hj vai ter encontro na casa dela, mas eu infelizmente não sei sepoderei ir... Minhamãe operou opé ontem e eu estou de plantão na enfermagem...
Bom, resolvi colocar dois capítulos no ar hoje, quero abreviar a história até pq preciso dos conselhos de vcs todas neste momento... Vamos lá!!!
QUINTO CAPÍTULO
O final de semana passou em um piscar de olhos (entre casamentos familiares e feijoadas absurdas). E na segunda-feira, quando chego na academia... Lá está ele, correndo na esteira. Para me cumprimentar até parou de correr. Me deu um beijo na bochecha estalado, e uma fungada no cangote. Perguntou pelo meu final de semana. Depois de um tempo voltou para seu lugar, no transport, ao meu lado. Comentou que adorou baladinha de semana passada, se divertiu muito. Pergunto: “Apesar do Psy?”, ao que ele respondeu com um risinho sacana: “O Psy foi só um detalhe...”.... Uma clara referência à minha mensagem de texto... Bom sinal... Mais tarde falou para sairmos caso eu não viaje no final de semana. Repetiu mais uma vez essa frase, quando está para ir embora: “Vamos ver, se vc ficar por aqui no final de semana...”. Concordei, “sim, vamos ver...”. “Vamos ver?”, uma parte de mim berra de dentro da minha cabeça. “Vamos ver, vc está louca? Onde já se viu dizer vamos ver para um cara desses?”... Mas uma Flavia mais segura responde: “Sim, vamos ver... quem é que sabe?”.
Nos dias seguintes não nos encontramos na academia. Não posso mentir que para mim foi uma decepção, mas ao mesmo tempo uma voz me dizia que as coisas tem um tempo próprio para acontecer... Não sei como foi que consegui controlar minha ansiedade.
Na terça, um amigo em comum, aquele primeiro que havia dado toda a força do mundo para nós dois, veio me dizer que daria uma festa no sábado em comemoração ao seu aniversário. Disse que estava convidando poucas pessoas da academia, mas sutilmente me disse que havia convidado o J. Cheguei em casa da academia e vi que havia um email do J. Respondi dizendo que a festinha deste nosso amigo em comum seria no mínimo engraçada, dando a entender que talvez eu ficasse em sampa no final de semana... No dia seguinte ele me respondeu, “A festinha do C. será diversão na certa, nem pense em não ir! Chega de praia, fique em SP”... No dia seguinte, na academia, esse nosso amigo veio me contar que o J. iria à sua festa e que havia perguntado se eu iria... deu um sorrisinho sacana, gostando da história da qual ele foi cupido.
Enfim, o sábado chegou. Já estava pronta, me preparando para sair, quando toca o meu celular. Era ele, perguntando se eu já estava na festinha. Disse que estava muito cansado, que havia trabalhado o dia inteiro, mas que iria para casa, tomaria um banho, comeria alguma coisa e chegaria na festa por volta das onze horas. Eu disse que se ele estava cansado, precisava tomar cuidado para não acabar desencanando de ir depois de tomar um banho quentinho. Ele me responde “Imagina, desencanar, se estou indo só pra te ver...”. Minha irmã não acreditou em como fiquei vermelha após ouvir esta resposta...
Cenas do próximo capítulo: J. Começa a apresentar F. Mel a seus melhores amigos... Como ela se sentirá nesta situação??
Escrito por F. Mel às 16h15
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SEXTO CAPÍTULO
Na festa estávamos no divertindo muito, dançando enquanto mais um amigo em comum mandava o som. De repente o vejo chegando. Ele veio na minha direção, me cumprimentou com um beijo no rosto. Conversamos por alguns minutos, e ele foi para o cozinha, deixar as bebidas que havia trazido na geladeira. Voltou e comentou “Como vc ta bonita, Flá...” e me beijou. Ah, que beijo gostoso... Encaixe perfeito. Parece que as bocas já sabiam se beijar bem ante de nossas mentes conduzirem nossos pensamentos nessa direção. O abraço é gostoso. Bom, na verdade ele é gostoso. E ficamos nos beijando um tempão.
Na festa, ficamos tranqüilos. Alguns amigos seus chegaram depois de um tempo. Ele me apresentou a todos. Eles pareceram gostar de mim, e eu me sinto estranhamente à vontade. Antigamente, quando conhecia amigos de carinhas que eu estava saindo, sempre ficava apreensiva. Ficava hipervigilante, preocupada se eles estariam gostando de mim ou não. Raramente ficava relaxada e tranqüila como fiquei. Depois de mais algum tempo, algumas amigas suas chegaram. Ele correu a me apresentar a uma delas, sua melhor amiga. Também me senti muito segura e tranqüila, conversando com ela. Comecei a perceber que a forma com que ele me tratava diante de seus amigos me deixava muito à vontade. Ele foi muito carinhoso... Toda vez que se aproximava me beijava, sempre que pegava uma bebida para si, pegava outra para mim, estava sempre com a mão estendida na hora em que mudávamos de ambiente na festa.
Ficamos a noite inteira conversando com seus amigos. Minha irmã e nossa amiga resolveram ir embora, e ele sussurrou em meu ouvido: “Você tem mais planos para hoje? Ou vai ficar comigo?”... Respondi que não tinha planos e que ia ficar bem ali. Ele sorriu e me deu outro beijo. A química existente entre nós era algo irrefutável. Não é daquelas coisas que acontecem todos os dias, com todas as pessoas. Percebi que ele gosta de me beijar, que gosta de estar comigo.
Depois de algum tempo, uma de suas amigas sugeriu irmos embora, para sua casa, continuar a conversa e a bebida, pois a festinha estava acabando. Ele perguntou se topava ir junto, e respondi que sim.
Na ida para a casa de sua amiga, fomos conversando no carro. Interesses em comum. O papo rolou solto, fácil. Chegamos na casa de sua amiga e ele foi absolutamente carinhoso comigo lá também. Na verdade seus amigos são pessoas muito interessantes, muito inteligentes, muito agradáveis e comunicativas. A dona da casa decorou o apartamento inteiro com peças compradas na loja de uma das minhas melhores amigas. Prometi que consigo descontos na loja, nas próximas compras.
Ficamos juntos em um sofá, abraçados, juntinhos. Conversamos com todos mas ele não deixa de me beijar. No dia seguinte, vai trabalhar em um evento no parque do Ibirapuera, em um show de música ao qual eu iria. Todos os seus amigos também pretendiam ir.
Ele me perguntava se estava à vontade, que se quisesse ir embora é só avisá-lo. Disse a ele que estava à vontade, que ele não precisava se preocupar. Ele sorriu e me respondeu que está adorando minha companhia. Me beijou muitas e muitas vezes.
Algumas bebidas e beijos depois, resolvemos ir embora. Me despedi de todos, que me responderam que tiveram muito prazer em me conhecer. Senti o mesmo prazer em conhecer a todos. Entramos no elevador e ele me beijou mais e mais. Entramos no carro e os beijos continuam. Ele falou sobre o encaixe perfeito de nossos beijos. Perguntou se, ao invés de ele me deixar em casa, se não poderíamos ficar juntos aquela noite. Eu disse que não e ele sorriu, mas não pareceu decepcionado. Apenas comentou que isso era cruel. Eu disse que não havia crueldade nenhuma nisso, ele sorriu e acabou concordando. Disse “Não é cruel, pois haverão muitas e muitas outras baladas, muitas e muitas outras noites. E eu apenas sorri, concordando.
Cenas do próximo capítulo: Planos começam a ser feitos. Como F. Mel será capaz de viver o “só por hoje”?
Escrito por F. Mel às 16h07
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A novela continua... QUARTO CAPÍTULO
Meninas,
Resolvi seguir o conselho de vcs... mesmo que a história tenha um final diferente do que o esperado ou idealizado, aqui ela vai até o fim.
Estou melhorzinha... em um dia pós terapia, tudo ganha cara nova. Então, assim sendo...
QUARTO CAPÍTULO
Ele chegou bem mais tarde do que o previsto, e apenas dez minutos depois de ter chegado já veio com a clara intenção de me beijar. Minha irmã e a amiga tinham ido ao banheiro, e o amigo tinha ido buscar uma bebida. Ele se aproximou e simplesmente me beijou. E eu correspondi a seus beijos animadamente. Ele me abraçava e eu não acreditava que aquilo estivesse acontecendo comigo! Na hora em que foi ao banheiro, um cara se aproximou e disse “que pena, eu estava te olhando de longe, mas é claro que tinha que chegar um jiu-jitero... o que uma loira linda como vc estaria fazendo aqui sozinha...”... Senti ímpetos de dizer a ele que ele nem imaginava o que estava acontecendo na minha vida... Mas achei que ele não entenderia nada...
Na hora de irmos embora o J. me disse que tinha adorado a noite e que tinha adorado me beijar. Fomos embora... E eu não o encontrei no dia seguinte na academia. Toda a minha insegurança começou a vir à tona. “Será que fiz algo de errado?”, “será que ele se decepcionou comigo?”, “será que percebeu que é demais para mim, que merece coisa melhor?”... ai, ai, essa Flavia que acha que as coisas boas acontecem apenas com os outros...
Achei que ele me ligaria. Mas não ligou no dia seguinte, e fui dormir com a cabeça dando voltas. Orei muito, pedi muito a Deus que me confortasse, que afastasse de mim tudo aquilo que não fosse Dele, que tirasse todo o sentimento ruim do meu coração e que me desse paz e serenidade. E quando eram quase 4 da manhã, acordei com o bipe irritante do meu celular, avisando que eu tinha novas mensagens de texto. “Que noite boa foi a de ontem!”, começava ele. “Adorei tudo... os beijos, as risadas, as vodkas. Beijos, J.”. E mais uma “Ah, e o Psy foi razoável, na próxima vez iremos pro Acid Inferno Techno!”... Ai, ai, a eterna rixa futebolística entre o Psytrance e o Techno...
No dia seguinte, novamente não o encontrei na academia. Voltei para casa, fui até o shopping, tomei um café no Franz com meu pai. Quando chego em casa, respondo a mensagem: “Também adorei a noite! E tudo, tanto que o psy acabou virando mero detalhe... Desafio aceito! Que venha a tchnera from hell!! Beijos... Flá”.
Confesso: fiquei esperando uma resposta. Na verdade esperava mesmo um convite para sair. Afinal era sexta-feira e eu sabia que ele não viajaria. E sábado eu teria um casamento fora de São Paulo, e no domingo uma feijoada que me tomaria provavelmente a tarde inteira. Então ele TINHA que me ligar para sairmos na sexta. Mas ele não ligou.
Em outros tempos, ficaria em casa até dez da noite esperando ele me ligar. E quando percebesse que ele não me ligaria mesmo, pediria uma pizza bem gorda, tipo portuguesa, e comeria inteira. Mas nessa sexta resolvi me dar ao direito de fazer algo diferente. Entrei no msn e uma amiga queridésima me chamou pra dormir na casa dela. Fui sincera – mais uma mudança de atitude – e disse a ela que estava esperando um convite de um gatinho, que se não ocorresse eu iria para a sua casa (antigamente não teria coragem de afirmar que minha prioridade era outra, e inventaria uma mentira, tipo que meu cachorro estava com diarréia e eu teria que passar a noite de sexta limpando merda pela casa)...
Quando deu sete horas, liguei para ela e confirmei que iria à sua casa. Pensei, “Bom, quem quer sair com alguém em uma noite de sexta, tem que ligar mais cedo, no máximo até umas seis horas... Hum... prazo esgotado”. E fui pra casa dela. Nos divertimos a valer... Demos risada...
Cenas do próximo capítulo: Nova baladinha à vista... Como F. Mel conduzirá a situação??
Escrito por F. Mel às 20h37
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Devaneando...
Eu não sou daqui. Definitivamente deve ter havido algum engano na ocasião do meu nascimento. Deus deve ter se enganado quando decidiu me colocar neste planeta... Minha alma deveria estar designada para outro planeta, para outra galáxia, para outra dimensão... Um lugar onde as palavras proferidas são apenas aquelas verdadeiramente sentidas, onde os sentimentos demonstrados não são frutos de impulsividade, e onde as pessoas são verdadeiras acima de qualquer outra coisa...

Eu não sou daqui. A vida inteira suspeitei disso, e hoje acho que descobri a verdade: eu não sou daqui. A vontade que tenho é a de sair correndo, correndo, correndo, até chegar no horizonte e de lá pular. Voar na imensidão gritante da falta de gravidade, flutuar entre mundos e dentre mundos, beijar o vento e sussurrar palavras de amor à beija-flores e maritacas. E quando estivesse cansada, cansada de voar, de flutuar, de beijar e de sussurrar, encontrar um berço de folhagens entrelaçadas, me deitar e repousar... Descansar a alma e o corpo desta briga eterna entre minhas emoções e meus pensamentos que, afinal, não dão conta de entender o recado.
Eu não sou daqui. O lugar a que pertenço existe em algum local, longe, nebuloso, aromatizado, saboroso, reconfortante aos meus pés descalços, cansados de percorrer a enorme distância entre eu e os outros... Outros que não entendem o significado daquilo que dizem, que não compreendem o valor de uma emoção expressa, que não se dão conta do quanto podem causar sofrimento e desesperança apenas com seu silencioso aguardo.

Eu não sou daqui. Mas é aqui que estou. E é aqui que tenho que aprender a me virar. Me conformar em ser apenas lagarta, presa no casulo para sempre? Esperar pacientemente até que Deus se dê conta de seu engano? Permanecer em jejum e oração até que minha alma seja finalmente rastreada e que a nave Mãe venha me buscar?
Eu não sou daqui. E hoje, aqui, é domingo. E domingo não tem novela. E quem não se lembra de Brida, a versão novela para a televisão, que simplesmente foi tirada do ar, sem a menor explicação??? Eu me lembro, e fiquei decepcionada. E hoje, continuo me decepcionando, sempre que alguma história é interrompida sem entender o porque.
Mas pelo visto, aqui, nada precisa de explicação...
Escrito por F. Mel às 14h52
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TERCEIRO CAPÍTULO
Mais tarde neste dia, quando ele estava indo embora, arrisquei um “Mas vamos combinar outra baladinha...”. Ele foi extremamente estimulante: “vamos, nem que seja só uma cerveja...”. Ele me disse que havia perdido todos os números de telefone de sua agenda no celular, mas que eu tinha seu email e pediu que eu mandasse meu telefone por email. Senti meu coração bater mais forte.
Quando cheguei em casa, corri para a internet: fora do ar. Fui atender meus pacientes, e quando cheguei, sentei-me diante do computador e pensei: “Hum... mando, não mando, mando, não mando... bem-me-quer, mal-me-quer...”... Continuei pensando “Hum... me conheço... sei de minha ansiedade... hoje é véspera de feriado, não vamos poder sair antes da semana que vem. Se eu mandar o meu telefone, sei que ficarei esperando ele me ligar. E se ele demorar para me ligar, vou enlouquecer, achar que sou ridícula por pensar que mereceria um cara desses, isso se não ficar maluca imaginando que o email não tenha chegado...”... E não parei de pensar, “Ah, como seria bom viver a cena dele pegar meu telefone... Como seria ótimo ver a cena dele se dignar a apertar as teclinhas do celular e apertar um armazenar! Ou como seria fantástico ele caminhar até a lanchonete, pegar um guardanapo, uma caneta que seja, e anotar meu telefone!”. Lembrei das sábias palavras da minha psicóloga: se eu falo que amo, tiro a chance do outro dizer que me ama... Se mando o telefone por email, além de enlouquecer esperando ele me ligar, tiro a minha própria chance de viver as cenas que eu gostara tanto de imaginar! E não mandei. Viajei no feriado e voltei mais moreninha.
“Nossa, que bronze!”, foi o primeiro comentário que ele fez quando me viu na segunda-feira. Imediatamente relembrou-me de uma baladinha eletrônica que eu sempre vou, de quarta-feira, da qual nem me lembrava de ter comentado com ele. Perguntou se eu, e mais uma amiga que estava junto, não gostaríamos de ir. Dissemos que sim. Minha amiga continuou comentando de um rolinho dela, e eu percebi que não me senti a vontade para falar do menino que eu tinha beijado no feriado. E pela primeira vez ele também não comentou de suas paqueras. Mais tarde, no mesmo dia, ainda me disse que tinha dado um Ctrl Alt Del em todas as suas paqueras, resolvendo-se por esperar alguém que realmente valesse a pena... E quando ia embora, pasmem: pegou meu telefone! Ah, o prazer de vê-lo se dar ao trabalho de procurar o celular dentro da mochila, perguntar meu número, gravá-lo, digitar meu nome e armazenar... Algo quase orgástico...
No dia seguinte nos encontramos de novo. Ele perguntou se a baladinha estava de pé e eu disse que sim. Comentou que fazia tempo que não namorava, que sentia falta de ter uma companhia mais constante... E foi embora me dizendo que eu aguardasse uma ligação sua no dia seguinte, já que eu não iria à academia na quarta-feira.
Acordei no dia seguinte com o estômago dando voltas dentro da minha barriga. À tarde ele me ligou... 3 vezes; mas eu estava atendendo e não pude falar com ele. Ele deixou um recado dizendo que estava empolgadíssimo... Que havia combinado de ir com um amigo em comum. Pedia que eu ligasse para ele “qualquer coisa”, mas não liguei na hora. Pensei, “acho que vou ligar mais tarde... Não vou ligar no momento seguinte em que ele me procura”. E duas horas depois, enquanto conversava animadamente com minha irmã e uma amiga que também iria à balada, ele ligou de novo. Conversamos, ele disse que tinha até avisado no escritório que nem apareceria na manhã do dia seguinte... Combinamos de nos encontrar lá pela meia-noite, pois ele ainda veria o jogo de futebol na casa do amigo que iria junto.
Cheguei na balada me sentindo muito confiante. Nem acreditava que isso estivesse acontecendo. Se uma parte de mim dizia que poderia não acontecer nada demais, que ele poderia estar indo apenas como meu amigo, outra parte de mim dizia que não era nada disso, e que ele seria um imbecil aborígene se não quisesse nada comigo.
Cenas do próximo capítulo: Os primeiros beijos enfim acontecem... Como Flavia Melissa lidará com sua ansiedade no dia seguinte??
Escrito por F. Mel às 15h47
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SEGUNDO CAPÍTULO
Um dia ele começou a namorar. Estava totalmente apaixonado pela menina. Ficamos um tempo sem nos encontrar, e quando nos vimos novamente ele me contou que tinham terminado, a menina parecia ser extremamente independente e não tinha tempo para ele... E eu pensando, “ai, ai, essa daí não soube dar valor a ele...”. E continuava ouvindo... Ouvindo... Ouvindo...
Até que um dia ele resolveu dar uma festa. Seria aniversário de um grande amigo seu, e ele cederia seu sítio para a festinha, uma private de música eletrônica. Assim, na qualidade de semi-anfitrião, poderia convidar algumas pessoas. Queria que eu fosse, e eu poderia levar algumas amigas. Me deu seu email e pediu que eu mandasse os nomes das pessoas. Disse que a festa era segredo e só algumas pessoas da academia tinham sido convidadas. Disse que teria alguns amigos para me apresentar, todos machos da melhor qualidade. Rimos juntos pensando em quem ele me apresentaria. Afinal, éramos amigos.
Só que, aí, eu já havia me cansado deste rótulo da melhor-amiga-de-caras-gostosos-que-não-tem-muitas-outras-amigas-na-academia. Eu era a única mulher convidada, pois era a amiga da galera... E isso, ao invés de me deixar sentindo orgulhosa, como antes me sentia, me irritou profundamente. Resolvi abalar Bangu: me arrumei, fiz as unhas, uma make up daquelas e fui, toda toda. Cheguei lá e já percebi a reação dos meninos em geral, inclusive do J. Ele perdeu todo o papinho de me apresentar seus amigos, e ficou bem por perto a noite toda. Quando não estava por perto ficava me olhando, vinha pedir fogo pra acender o cigarro. Na hora em que fui embora ficou decepcionado.
No dia seguinte um amigo em comum veio comentar que haviam tido comentários entre a turminha do Jiu. A galera não tinha acreditado que eu era na verdade tão bonita. E havia sido o próprio J. a comentar o fato. Mas logo depois disso sumi da academia... Primeiro machuquei o pé, fiquei com a perna inteira inchada sem poder pisar no chão. Quando me recuperei disso tive a frustração amorosa com o gatinho-preso-no-tempo-e-no-espaço-há-treze-anos, e fiquei mais quase um mês longe da academia... No total foram quase dois meses em sedentarismo total... Mas dois meses nos quais coloquei minha reeducação à prova e emagreci no total quase seis quilos...
E quando reencontrei o pessoal da academia, o comentário era um só: como eu estava mais magra, mais bonita, mais tudo! Eu começava a concordar, mas muito mis baseada nas roupinhas largas do que na imagem refletida no espelho...
O J. começou a me tratar de uma forma diferente... Eu não entendia muito bem seus olhares. Ora, éramos amigos, porque ele me olhava desse jeito? Comentei isso com minha psicóloga, e ela me disse: “bom, pelo menos alguém não está querendo ser só amigo de alguém...”... E comecei a pensar: eu queria ser amiga dele? Queria ser apenas a amiga dos caras gostosos e tatuados? Quem havia me imposto essa amizade? Quem havia determinado que era seria sempre a amiga? Que eu não poderia querer mais do que isso?
Um dia estava correndo e um cara se aproximou, e começou a conversar comigo. Depois de vários minutos conversando, ele me perguntou me nome, e quando eu disse, ele fez cara de espanto. E disse: “Ah, então vc é a Flavia, a amiga dos jiu-jiteros... Eles bem disseram mesmo, de uma amiga deles, uma loira sarada e tatuada...”. Arregalei um olho tão grande que o cara deve ter se assustado, porque logo depois saiu quase que correndo embora.
Fiquei pasma, bege, passada. Sarada... tudo bem, sei que não sou uma Maria-mole... Mas sarada? Loira sei que sou, tatuada então tenho mais do que certeza, mas sarada? Mais uma vez comentei com minha psicóloga. Ela me perguntou: “e vc já parou para pensar que exista a possibilidade, apenas uma pequena possibilidade, de que a forma com que vc se enxergue seja ligeiramente diferente da forma com que as outras pessoas a enxergam?”... Análise vale cada centavo.
No dia seguinte encontrei com o J. novamente na academia. Ele conversava com uma grande amiga minha. Combinavam uma balada, ou algo semelhante, para o feriado do dia dos namorados. Me convidaram; eu não podia, estaria viajando para Ubas com minhas amigas. “Uma pena”, disse-me ele. “Grande pena”, disse eu, com uma entonação que me soou estranha aos meus próprios ouvidos. Corri para o banheiro e enrubesci na minha própria frente: como eu pude? Flertei com o J.! Como tive coragem? Mas o fato é que, na hora em que saí do banheiro, senti um par de olhos castanhos acompanharem meu percurso até a escada.
Cenas do próximo capítulo: Começa a surgir um clima no ar... Como F. Mel vencerá sua impulsividade??
Escrito por F. Mel às 14h24
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