 |
Oi todo mundo!!
Gente, sabe aqueles dias em que vc acorda com aquela sensação de que será um longo e difícil dia de luta contra a compulsão? Pois é, hj acordei com essa sensação. A solução é: cuidado redobrado!
Ontem fui dormir bem tarde, fiquei lendo um livro, o "Desta Vez Eu Emagreço!", e tive um sonho muito estranho! Sonhei que eu acordava e olhava o livro, na minha cabeceira, e ele estava todo desmantelado, com as páginas soltando. Aí eu pegava o livro e a nota fiscal - comprei ontem, aqui perto de casa - e ia na livraria, queria trocar o livro por outro, pq era um absurdo de um dia pro outro ficar tão acabado. A vendedora dizia que eu não podia trocar, e eu pedia para falar com o gerente, que também me dizia a mesma coisa! Eu ficava revoltada e voltava para casa com o livro todo arregaçado... Espero que isso não signifique que a reeducação também não vá se desmantelar...
Todo final de semana acabo saindo da linha, e esse então, que tem o dia das mães... Vamos todas fazer a maior força do mundo para não sucumbir às tentações, hein, meninas?
Beijinhos
Recadinhos:
Diana, que bom que vc curtiu o exercício. Pode deixar que vou colocar mais alguns por aqui, nos próximos dias, tá? Brigadinha pela visita e bom dia das Mami´s prá vc querida!
Val, e não é verdade o que diz o poeminha mesmo? É para refletir mesmo... Beijocas!!
Escrito por F. Mel às 14h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Instantes - Jorge Luis Borges
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, seria mais relaxado. Seria mais bobo do que fui; na verdade encararia muito poucas coisas com seriedade.
Seria menos higiênico, correria mais riscos, faria mais viagens, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais em rios.
Iria mais a lugares que nunca tivesse ido. Comeria mais sorvetes e menos verduras. Teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu sensata e corretamente cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar atrás, procuraria apenas ter bons momentos. Se não sabem, disso é que é feita a vida, somente de momentos. Não percam o agora.
Eu fui uma dessas pessoas que nunca ia a parte alguma sem levar um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um esparadrapo;
Se pudesse voltar a viver, viajaria mais levianamente. Se pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no princípio da primavera e seguiria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na calçada, contemplaria mais amanheceres e brincaria mais com as crianças; se tivesse outra vez a vida pela frente ...
Mas já se vai, tenho 85 anos e estou morrendo. "
Achei esse poeminha aqui nos meus disquetes e resolvi colocar aqui... Faz a gente pensar que a vida na verdade é isso, aqui, neste momento.

Boa Noite e beijos em todas... 
Jaque, linda, adorei ter falado com vc... Fica bem, e qq coisa saiba q estou aki torcendo e rezando por vc... Beijos!
Escrito por F. Mel às 00h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Exercicinho Mental de Visualização - resistindo às tentações do Dia das Mães!!!
Pessoal, aqui vai uma técnica de mentalização que ensina nosso cérebro a optar por alimentos mais saudáveis... aprendi em um livro de Programação Neurolinguística que comprei para um curso. Se alguém tiver mais algum interesse, depois dou mais informações. Beijinhos, e procurem usar agora, para resistir às tentações do Dia das Mães!!!
Feche os olhos e relaxe. Respire lentamente, inspirando e expirando profundamente.
Visualize-se em seu restaurante preferido; é domingo e você está cercado pelas pessoas que você gosta. Procure mentalizar essa cena com todos os sentidos, vendo, escutando e sentindo tudo o que ocorre no restaurante. Imagine seu prato predileto... Um bela feijoada, por exemplo. Lembre-se daquele cheiro gostoso... uma suculenta feijoada está sendo servida pelo garçom, do jeito que você mais gosta, com todo o ritual: a batidinha de limão, o torresminho frito, o cheiro que vem da cozinha... Observe a si próprio, sendo servido. Qual a sua parte preferida? Hummmm, que delícia!
Agora, mentalmente, dê uma nota de 1 a 10, para a sua vontade de comer a feijoada.
Agora, visualize uma salada. Neutra, sem molho, só um pouco de azeite. Alface, pepino, cenoura... nada que você goste muito. Você não detesta, mas também não tem nenhum entusiasmo por essa combinação. Compare com a feijoada. Que nota, de 1 a 10, você dá para a salada?
Agora, imagine-se comendo toda a feijoada que quiser, do jeito que mais gostar. Em seguida, imagine-se trinta minutos depois de ter comido.
Olhe para baixo e para a direita. Tudo o que você comeu está dentro de seu estômago. Sinta como está seu organismo. Matérias em decomposição liberam uma grande quantidade de gordura em seu organismo. O fígado se sobrecarrega no metabolismo desses elementos. O sangue requisita energia em todo o corpo para produzir anticorpos que combatam um exército de toxinas que invade seus tecidos.
Substitua agora esse pensamento por outro: imagine-se comendo a salada. Alface, cenoura e pepino, temperados a seu gosto. Volte a visualizar seu estômago, trinta minutos após ter comido.
Olhe para baixo e para a direita, e visualize o colorido das substâncias que seu organismo está absorvendo. Sais minerais, vitaminas...
Compare agora os trinta minutos depois da feijoada e os minutos após a salada. Compare a sensação que você tem, no seu organismo, com cada um desses alimentos. Observe, com cada um, como está seu estômago... Qual dos dois alimentos você prefere ter dentro do estômago?
Provavelmente a resposta foi a salada. Pela primeira vez, seu cérebro está sendo ensinado quanto ao que verdadeiramente acontece ao seu organismo apenas trinta minutos depois de ter comido. Faça isso umas cinco vezes, quando for comer. Se for a um restaurante, faça o exercício antes de ir, ou antes de decidir, ao ver o cardápio. Compare as duas opções em seu organismo, trinta minutos após. Depois que fizer isso cinco vezes, instintivamente a cada dez vezes que for escolher, nove serão pela salada.
Agora feche os olhos novamente, pensando nos dois alimentos. Que nota você dá para cada uma das opções?

Escrito por F. Mel às 16h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Mulheres Maravilha... A Sina Nossa de Cada Dia
Oi todo mundo!!!! Espero que todas estejam bem e firmes em seus propósitos!!
Hoje acordei reflexiva, por isso esse post pode sair meio filosófico mesmo. É que hoje,logo de manhã, peguei-me a lembrar das ídolas da minha infância. E eram tantas! She-ra, Cheetara, Jem (dessa alguém se lembra?)... Além da Eterna Rainha dos Baixinhos da vida real (Xuxuxuxáxáxá) e a de plástico (Barbie, claaaaro).
Aí me lembrei da Skiper, a irmâzinha mais nova da Barbie... Uma pré-adolescente como eu era.

Como eu era é força de expressão, pois eu estava mais prá gordinha Laura, do Carrossel, do que para a Skiper. Mas eu assistia aos desenhos da Barbie, comprava as revistinhas e amava a Skiper, pois um dia ela seria igualzinha à Barbie, quando crescesse. Como eu também queria ser.
E a Barbie significava, pelo menos para a grande maioria das garotas da minha geração, o ideal que todas queríamos atingir. A modelo de sucesso, de corpo esguio, rica e com um belo namorado como o Ken era.

Pode-se chamar isso de consciência coletiva do belo. O que todas desejávamos conscientemente ser. A brilhante analista junguiana francesa Monique Salzmann, em seu artigo "De la difficulté d´être une femee", datado de 1990, defende a idéia de que todas as mulheres que buscam atendimento psicoterápico almejam, em última análise, encontrar a própria identidade. E a identidade feminina não pode ser separada da contemporâneidade. Diz ela:
" O que é problemático, hoje em dia, é que o coletivo, encarnado pela sociedade, não fornece mais os meios que permitem operacionalizar as separações e diferenciações", para logo depois acrescentar que "as mesmas separações e diferenciações que antes eram feitas pela coletividade devem, agora, operar no psiquismo individual, para que a dinâmica que leva uma menina a tornar-se mulher possa ser posta a caminho".
Creio que é justamente assim que os TAs entram em nossas vidas, como uma forma de nos iniciarmos como mulheres. O coletivo nos impõe a imagem da mulher descolada, sarada e gostosa, que dá conta de todas as dificuldades, que além de cuidar da casa, dos filhos e do marido ainda é uma executiva independente e de sucesso. A Mulher Maravilha. 

Não podemos errar. Não podemos ser fracas. Não há espaço intra-psíquico para manifestarmos nossas decepções por não sermos perfeitas (quem verdadeiramente consegue?). E na falta de um corpo psíquico para tais expressões, o que nos resta é o corpo físico. É nele que depositamos nossas frustrações, e é nele que depositamos nossas esperanças de finalmente atingirmos a perfeição que nos é imposta. 
Nós, Mulheres Modernas, estamos por tempo demais presas a um espelho... Que nunca nos reflete de volta a imagem desejada... 
X 
A saída parece ser entrarmos em contato com nossas deficiências, nossas limitações... e termos, sim um ideal... Mas o ideal já exprime em sua semântica sua verdadeira natureza: idealização significa algo quase efêmero, impossível de ser alcançado. Estabeleçamos portanto objetivos. Mas que sejam alcançáveis... Ninguém é vítima de ninguém, a não ser de si mesmo... Não criemos armadilhas para nós mesmas... 
Recadinhos: Quem ainda não deixou, mande ver no comentário!!! A união faz a força!!
Jaque, linda, deixei um post no seu blog e te adicionei no msn... beijinhos! 
Escrito por F. Mel às 14h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Super Contente!!!
Gente, estou radiante!!! Por dois motivos:
1. Recebi mais um comentário, da Diana do Sereisereia, fiquei super hiper ultra mega max giga jam feliz com mais essa visitinha!!! Gente, a união faz a força, em breve terei um monte de amigas novas que atravessam a mesma batalhinha infame de lutar com os quilinhos a mais... ÊÊÊ!!! Diana, claro que pode me adicionar nos seus links, que te adiciono no meu também lindona!!!
2. Consegui eliminar 700 gramas nesta semana!!!! (Bom, por motivos desnecessários de serem explicados, devo me estender sobre este segundo motivo)
É o seguinte:
Apesar de sempre ter vivido de dieta em dieta, comecei algo novo em março deste ano. Comecei um programa de ginástica na minha academia, feito sob medida para mim pelo meu querido professor Fabinho. De quebra resolvi - pela enésima vez - começar mais um programa alimentar também... Comentei com minha psicóloga este novo reinício, e ela me sugeriu tentar a dieta dos pontos. Entrei em um site do Dr. Alfredo Halpern, do Hospital das Clínicas daqui de sampa, o www.emagrecendo.com.br, e comecei a dita cuja. É um programa de reeducação alimentar, que tem todo um back-ground com apoio de terapeutas nutricionais on line, para tirar dúvidas a qualquer momento. Eu adorei, se alguém quiser mais informações me falem que explico tudinho...
Bom, comecei o programa há apenas 3 semanas, mas já estou feliz com os resultados... Olhem só. Em março me pesei, estava com 68,2 kg. Prá esclarecer, meço 1,70m. Gorduchinha, né? Comecei o programa de reeducação em 14/04, com 67,7kg Ó o progresso!
21/04/04: 66 kg
28/04/04: 65,6 kg
05/05/04: 64,9 kg
Tô super feliz!!!!!!! Minha meta é os 60 kg, peso com o qual me sinto bem, já tive este peso antes e lembro-me de me sentir bem com ele... Mas nada impede que eu queira emagrecer mais um tiquinho depois que chegar lá... Hehehehe...

Bom, essas são minhas news, por hoje. Obrigadinha pelas visitas, garotas, juntas venceremos!!! Beijinhos em todas!!!
Escrito por F. Mel às 22h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Êêêê!!!
Que legal!!!! Amei ter recebido os primeiros comentários no meu blog!!!!

Agora sim estou sentindo que o blog vai prá frente!!!! Obrigada meninas!!! Beijos!!!!
Respostinhas:
1. Menina: Que bom que vc gostou do meu bloginho... Volte sempre e seja bem-vinda!! É verdade que o meus distúrbio não é tão grave como o de outras meninas, mas todos os TAs são difíceis, porque envolvem a comida... É como se fosse um vício, mas do qual nãoé possível se abster como o cigarro... quer dizer, possível até é. Mas as consequências sabemos como são difíceis... Obrigada pela visita!!!
2. Blue: Você é fofa e nem um pouco intrometida. É para isso mesmo que este espaço serve, para ouvir as opiniões de outras pessoas sobre questões difíceis como essas... Sua opinião vale muito! E pode deixar que já estou reconsiderando algumas coisas... Depois passo no seu blog e escrevo mais procê!!! Beijinhos e valeu!!!! 
Escrito por F. Mel às 14h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Possessa Logo de Manhã!!!
Caralho galeraaaaa.... Acabei de chegar do consultório... Só prá constar, meu consultório é junto com o do me pai, que é endocrino e me dá uma puta força na vida profissional... Nunca tive do que reclamar, aliás, do meu pai, depois da separação. Ele sempre deu uma puta força tanto prá mim quanto prá minha irmã, nunca miguelou dinheiro ou o que quer que fosse, sempre cumpriu com as obrigações pontualmente. Nunca tivemos uma única discussão por causa disso.
Ele já teve uma porção de namoradas, umas super gente boa, outras nem tanto... A última foi uma neurologista que tinha lá os seus problemas, era meio histérica demais e adorava cagar ordens. Mas agora ele se superou... Pôrraaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!! 
Uns meses atrás estávamos no sítio que ele tem em São Roque, eu,ele e minha irmã. De repente ele começa a falar que estava saindo com uma pessoa, que era bem mais jovem do que ele - que tem 60 anos - e que era humilde, coisa e tal. Em resumo: a menina tem a minha idade, 25 anos, e estudou até a oitava série. Não vou nem entrar na questão dela ter estudado pouco, pq vivemos num Brasil que tem dessas coisas... Mas a minha idade???? Fala sério, o que uma menina de 25 anos poderia querer com um cara 35 anos mais velho????? Será que tô viajando????
O fato é que nessa primeira vez ele nem deu muita importância a isso, eu e minha irmã fomos unânimes nas nossas opiniões, de que achávamos isso uma palhaçada, afinal é estranho pensar no seu próprio pai trepando com alguém da sua idade. Mas blz, na hora deixamos quieto achando que era fogo de palha.
E hoje o cara vem me perguntar quando é que pretendemos conhecer a menina!!!! Eu disse que não sabia, que eu achava essa história esquisitíssima... e disse assim, "Só vê se não vai me arranjar um irmãozinho, hein?". E sabem o que ele respondeu???? "Nãããããão seeeeeeei.... vai saber a vida como ééééé....". ALGUEM MERECE?????
Posso estar sendo preconceituosa, provavelmente estou sendo sim. Mas é a natureza humana, afinal, o que se pensaria de uma situação como essa? Que ela vê na barriga dele um puta tesão? Que ela se sente sexualmente atraída por ele???? Convenhamos que ela deve é estar muito mais interessada no fator grana... Já fiquei imaginando a cara da minha mãe se fica sabendo de uma coisa dessa... E o pior é queé bem capaz de ela achar que eu acho o máximo isso! Se bobear é bem capaz dela falar "quem mandou dar força pro seu pai encontrar namorada?".
OK, talvez esta seja a minha própria voz, que se faz ouvir saindo pela boca da minha mãe. Talvez eu realmente me sinta culpada, porque na época em que eles se separaram eu fiquei muito mais do lado do meu pai do que da minha mãe... Mas na época eu era tão menina, não entendia nada da vida e de relações amorosas; se fosse hoje acho que eu teria agido diferente. O fato é que na época eu achava o meu pai o máximo e minha mãe uma bosta ambulante, mas hoje em dia não é mais assim. vejo inúmeras características positivas na minha mãe...
Agora só quero ver. Dia 19 de junho é casamento da minha prima, meu pai vai ser padrinho e minha mãe tbm vai estar lá. Já fiquei imaginando se ele me aperece lá com a tal "Inha". Imagino acara da minha mãe... E eu, vou ter que ficar fingindo que acho tudo isso muito belo??????
O pior é que a vontadque me dá é de me afogar no resto do ovo de páscoa que ainda não acabou... DEFINITIVAMENTE NINGUÉM MERECE.........

Escrito por F. Mel às 10h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Terceiro Ato
Meu pai começou a namorar, e eu e minha irmã adorávamos a mulher. Minha mãe ficou putíssima ao descobrir isso. Me culpava. Se eu, por um lado, havia conseguido realizar meu Édipo com a separação, minha irmã, em contrapartida, era uma vítima que apenas me seguia. A culpa era totalmente minha.
Brigávamos muito, de sair na porrada. Foi depois de um pega prá capar que comecei a fazer terapia. Minha psicóloga era, e é, até hoje, o máximo. De muitas formas, ela faz o papel de mãe que eu nunca tive. Durante a terapia - e de lá para cá já são quase sete anos - fui me dando conta de muitas coisas... Culpava meus pais - mas principalmente minha mãe - por todos os meus problemas. Afinal, se minha mãe não tivesse feito dieta a gravidez inteira, eu não teria nascido já gulosa. Afinal, se tivesse seguido a recomendação médica de cortar mesmo a mamadeira, eu não seria gorda deste jeito. Afinal, se minha mãe tivesse se posicionado ao meu lado, nas inúmeras vezes em que meu pai me proibia de fazer alguma coisa, eu não teria sido tão rebelde. Afinal, se ela não tivesse sido sempre tão insuportável, meu pai não teria saído de casa, e eu não seria a culpada por todas as desgraças em sua vida de lá para cá. É muito fácil encontrar culpados pelos nossos problemas.
Tive alguns namoradinhos na adolescência, mas dois apenas foram sérios o bastante. Perdi minha virgindade aos 20 anos, bem mais tarde do que todas as minhas amigas. Morria de vergonha do meu corpo. Estava sempre encolhendo a barriga.
Meus dois namoros me ensinaram muita coisa, sobre o que fazer e principalmente sobre o que não fazer. Sempre fui mandona, controladora. O controle é uma coisa engraçada. Você acha que controla, mas na verdade é aprisionada por si mesma, uma falsa ilusão de controle. Controlada por mim mesma, o tempo todo. Nunca gozei na minha vida. Quer dizer, em sonhos, sim. Mas não em uma relação sexual. Nunca. Afinal, é um momento em que você se despe de todas as máscaras. E quando a máscara já está lá há tanto tempo que já se tornou parte de si mesma?
Não perdi as esperanças. Sei que passei por muita coisa difícil na vida. Muitos dos meus amigos malucos da praia morreram; de overdose, de AIDS, assassinados no tráfico de drogas. E eu estou aqui. De certa forma, sei que sou vencedora.
Estou formada há quase três anos, tenho meu próprio consultório, tenho seis pacientes que eu amo de paixão. Estou estudando muito e me especializando na área de transtornos alimentares. Irônico, não? Uma compulsiva de carterinha, que já provocou o vômitos algumas vezes, uma suicida em potencial- durante a adolescência. Uma neurótica de primeira, tentando dar conta dos problemas alimentares de outras pessoas. De certa forma meu próprio "know-how" me ajuda; de outras, me atrapalha.
Agora estou mais equilibrada... uma lagarta no casulo sofrendo todas as dores da transformação. Mas quero virar borboleta mais que tudo nessa vida. Tatuada, surfista, compulsiva. Mas muito esperançosa. Deixei de tentar loucuras e estou fazendo a dieta dos pontos. Já emagreci 3 quilos e faltam outros cinco para chegar na minha meta. Mas será que estou pronta para isso? Como será que serei, quando magra? Meu maior desejo e meu maior medo...
Tentando, sempre. Posso morrer na praia, mas vou morrer depois de nadar o máximo possível. Que venham as cãibras, as luxações. Não desistirei de minha luta em busca de mim mesma. Não quero mais ser perfeita. Quero ser somente EU mesma.

De muitas formas, já melhorei muito. Minha relação com minha mãe já não é tão ruim. Não considero mais meu pai um super herói. Minha irmã é o que me sustenta, somos realmente um time; mas por outro lado já sou capaz de enxergar coisas em nossa relação, simbiótica por muito tempo, que desejo mudar. E acredito que ela também.
Este blog é uma parte de mim, uma parte de sombras, das quais não me orgulho. Mas é uma parte da qual já cansei de fugir e de fingir que não existe. Tudo tem uma sombra. Até eu mesma.

Escrito por F. Mel às 15h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Segundo Ato
Se na praia começava a andar com "perdidinhos", na escola não era diferente. Eu não era filha de governador e nem sobrinha de embaixador, muito menos afilhada de ator famoso. Meus amigos eram todos esquisitos. Cabeludos repletos de piercings e meninas com cabelos pintados e que usavam coturnos. Eu era a gordinha hiponga. Esta época era fantástica. Íamos para as casas uns dos outros e enchíamos a cara de vinho, enquantos papis e mamis acreditavam que fazíamos trabalhos escolares. Éramos francamente desprezados pelo restante dos alunos, e nos orgulhávamos disso. Éramos os marginalizados, os diferentes, os verdadeiros seres-humanos sobrevivendo em um mundinho de aparências.
Aos treze anos descobri que tinha uma disfunção na tireóide. Medicada, emagreci bastante. Comecei a fazer dieta e tomava anfetamina para emagrecer. Descobri o outro lado da moeda. Como era ser magrinha e cobiçada por meninos que antes riam de mim. Era convidada para festinhas das quais antes nem ficava sabendo. Confesso: houve certo deslumbramento de minha parte. Não me recrimino. Eu precisava disso. Mas não me bastava. Eu queria mais.

Queria ser perfeita. Queria provocar a inveja de todos aqueles que antes me desprezavam. Continuava andando com os malucos, mas conhecia todos os playboys. E vejam só, foi justamente com os playboys que comecei a fumar maconha.
Adorava parecer chapada; os olhos caídos me davam uma identidade. Eu era confessadamente e assumidamente maluca. Na praia os malucos como eu experimentavam coisas mais pesadas. Cocaína, LSD, chás mil. De cocaína nem cheguei perto. Muitas coisas experimentei e gostei. Não usava sempre, só quando estava num clima legal e com pessoas queirdas, com as quais me sentisse segura.
Comecei a engordar novamente. Em casa as brigas aumentavam, na mesma proporção em que o ponteiro da balança subia. Foi quando começou a interminável batalha com meu corpo. Muitas vezes pensava em suicídio. Não me sentia amada pelos meus pais, que somente criticavam meus amigos, os únicos que me entendiam totalmente. Não entendia o motivo de meus pais quererem me ver sozinha. Era boa aluna, do que eles reclamavam? E daí se gostava de balada? E daí se gostava de ficar louca? Meus pais nunca chegaram a saber das minhas chapações, eu disfarçava tudo muito bem. Nem sabiam que eu fumava cigarro, quanto menos imaginavam as droguinhas.
E eu odiava o meu corpo e a minha vida. Sentia nojo ao me olhar nua no espelho.

Depois de muito pensar sobre o que gostaria de estudar na faculdade, escolhi pela psicologia. Pensem o que quiserem que provavelmente vou concordar: queria mesmo era me entender, me tratar. Mas na faculdade de psicologia existe a maior concentração de loucos por metro quadrado, e era justamente com eles que eu andava. Comecei a fazer teatro. Entrei para um grupo de dança. Só tinha amigos homossexuais. Meus pais, acho eu, tinham dúvidas sobre minha sexualidade, alfinetados pela máxima "diga-me com quem andas e eu te direi quem és". Mas nunca tive tesão por mulher.
Quando fiz dezoito anos ganhei um carro. O estrago estava feito; eu não parava mais em casa. Viajava todos os finais de semana para a praia, o único lugar em que eu me sentia verdadeiramente em casa. Até hoje é assim. É só descer a serra e sentir o cheirinho de mar que me sinto outra pessoa. Essa é minha maior terapia.
E meus pais se separaram. Nada muito supreendente, afinal até hoje não me lembro dos dois sendo carinhosos um com o outro. Na verdade os dois juntos eram um inferno. Sempre me dei melhor com meu pai do que com minha mãe. Ele sempre foi muito mais afetivo do que ela. Naturalmente me posicionei ao lado de meu pai. Não conseguia imaginar como ele havia conseguido viver tanto tempo com ela. Na época, me senti aliviada com a separação. Mas nem imaginava o que estava para vir.
Escrito por F. Mel às 15h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Absolutamente Insana... - Primeiro Ato
Olá a todos... Há tempos percorro blogs de outras meninas que sofrem de TAs, e não sei porque justamente nesta fase de minha vida, resolvi colocar-me à prova.
Tenho 25 anos, sou psicóloga e tenho um transtorno alimentar. Transtorno Alimentar Compulsivo sem outras especificações. Isto significa que como pra cacete mas não vomito e nem tomo outra providência compensatória. Esta sou eu. E não é de hoje.

Minhaprimeira dieta foi aos 3 meses de idade, quando mami cortou a mamadeira por ordens médicas, já que eu tinha o tamanho de um bebê de seis, sete meses. Quer dizer, cortou mais ou menos, já que não agüentava me ver chorar de fome. Me dava mais e mais comida.
Mas na verdade a história começa antes disso. Sou a primeira filha de um casal formado por um médico e uma engenheira, que se casaram depois de sete anos de namoro e resolveram ter um filho depois de mais sete anos de casamento. Mami fez dieta a gravidez inteira; conta em detalhes assombrosos meu nascimento, descrevendo o “muque” do anestesista, fazendo força para me empurrar da base do estômago, para onde “fugi” ao primeiro corte da cesárea. De lá de dentro já se fazia ouvir meu choro. Ela jura de pé junto que eu queria ficar lá dentro. E talvez ela não esteja tão errada...
Tive uma infância complicada... Sempre a mais gordinha de todas, sem a menor aptidão para atividades físicas, sempre fazendo regime. Meu pai, que por ironia do destino é endocrinologista, controlava de perto minha alimentação. Outras vezes, não me deixava sair da mesa antes de “limpar o prato”; esta é uma obsessão que guardo até hoje. Nada me angustia mais do que ver sobrar comida. E enquanto isso, eu trocava as maçãs que mami mandava de merenda por sanduíches de presunto e queijo das magrinhas da classe.
Aos quatro anos e quatro meses ganhei uma irmãzinha. De presente de natal. Ela era loirinha, pequenininha, de olhos azuis. Odiava comida. Minha relação com minha irmã sempre foi muito especial. Até hoje somos um time. Mas na época não consegui lidar muito bem com o fato de perder o posto de “princesinha da casa” para assumir o duro cargo de “irmã mais velha a dar exemplos”. Que exemplos?
Na adolescência tive a certeza de que eu era mesmo diferente. Em todos os aspectos. Estudava em um colégio de grã-finos, e eu não tinha um sobrenome famoso. Não tinha sobrenome como eles, dinheiro como eles, corpinho sarado como eles e nem liberdade como eles. Meus pais sempre fizeram marcação cerrada sobre mim. Se eu queria dormir na casa de uma amiga, meu pai perguntava, com o ar mais sonso deste mundo: “porquê? Você não tem cama?”. E se era a amiga a dormir em casa, lá vinha ele com o segundo ar mais sonso do mundo: “porquê? Ela não tem cama?”.
E enquanto todas as meninas da minha idade começavam a freqüentar as boates da moda, eu era obrigada a viajar com meus pais todos os finais de semana para a praia. Ou então para o interior, em visita a meus avós. No interior me sentia muito bem. A casa da vovó, cercada de carinhos e bombons. Eu era eu mesma.
Na praia a coisa era mais ou menos igual à escola: eu não podia sair à noite, e se saísse tinha que estar em casa no mínimo 3 horas antes do que o resto da garotada. Não podia ir e voltar a pé, como faziam meus amigos: meu pai me buscava e me levava, enquanto fazia seu discurso de como eu deveria me manter longe de pessoas perigosas, como bêbados e drogados. Mas era justamente com eles que me sentia mais á vontade. Mais uma louca no mundo dos insanos.

Escrito por F. Mel às 15h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
 |


|
 |