 |
TERCEIRO CAPÍTULO
Mais tarde neste dia, quando ele estava indo embora, arrisquei um “Mas vamos combinar outra baladinha...”. Ele foi extremamente estimulante: “vamos, nem que seja só uma cerveja...”. Ele me disse que havia perdido todos os números de telefone de sua agenda no celular, mas que eu tinha seu email e pediu que eu mandasse meu telefone por email. Senti meu coração bater mais forte.
Quando cheguei em casa, corri para a internet: fora do ar. Fui atender meus pacientes, e quando cheguei, sentei-me diante do computador e pensei: “Hum... mando, não mando, mando, não mando... bem-me-quer, mal-me-quer...”... Continuei pensando “Hum... me conheço... sei de minha ansiedade... hoje é véspera de feriado, não vamos poder sair antes da semana que vem. Se eu mandar o meu telefone, sei que ficarei esperando ele me ligar. E se ele demorar para me ligar, vou enlouquecer, achar que sou ridícula por pensar que mereceria um cara desses, isso se não ficar maluca imaginando que o email não tenha chegado...”... E não parei de pensar, “Ah, como seria bom viver a cena dele pegar meu telefone... Como seria ótimo ver a cena dele se dignar a apertar as teclinhas do celular e apertar um armazenar! Ou como seria fantástico ele caminhar até a lanchonete, pegar um guardanapo, uma caneta que seja, e anotar meu telefone!”. Lembrei das sábias palavras da minha psicóloga: se eu falo que amo, tiro a chance do outro dizer que me ama... Se mando o telefone por email, além de enlouquecer esperando ele me ligar, tiro a minha própria chance de viver as cenas que eu gostara tanto de imaginar! E não mandei. Viajei no feriado e voltei mais moreninha.
“Nossa, que bronze!”, foi o primeiro comentário que ele fez quando me viu na segunda-feira. Imediatamente relembrou-me de uma baladinha eletrônica que eu sempre vou, de quarta-feira, da qual nem me lembrava de ter comentado com ele. Perguntou se eu, e mais uma amiga que estava junto, não gostaríamos de ir. Dissemos que sim. Minha amiga continuou comentando de um rolinho dela, e eu percebi que não me senti a vontade para falar do menino que eu tinha beijado no feriado. E pela primeira vez ele também não comentou de suas paqueras. Mais tarde, no mesmo dia, ainda me disse que tinha dado um Ctrl Alt Del em todas as suas paqueras, resolvendo-se por esperar alguém que realmente valesse a pena... E quando ia embora, pasmem: pegou meu telefone! Ah, o prazer de vê-lo se dar ao trabalho de procurar o celular dentro da mochila, perguntar meu número, gravá-lo, digitar meu nome e armazenar... Algo quase orgástico...
No dia seguinte nos encontramos de novo. Ele perguntou se a baladinha estava de pé e eu disse que sim. Comentou que fazia tempo que não namorava, que sentia falta de ter uma companhia mais constante... E foi embora me dizendo que eu aguardasse uma ligação sua no dia seguinte, já que eu não iria à academia na quarta-feira.
Acordei no dia seguinte com o estômago dando voltas dentro da minha barriga. À tarde ele me ligou... 3 vezes; mas eu estava atendendo e não pude falar com ele. Ele deixou um recado dizendo que estava empolgadíssimo... Que havia combinado de ir com um amigo em comum. Pedia que eu ligasse para ele “qualquer coisa”, mas não liguei na hora. Pensei, “acho que vou ligar mais tarde... Não vou ligar no momento seguinte em que ele me procura”. E duas horas depois, enquanto conversava animadamente com minha irmã e uma amiga que também iria à balada, ele ligou de novo. Conversamos, ele disse que tinha até avisado no escritório que nem apareceria na manhã do dia seguinte... Combinamos de nos encontrar lá pela meia-noite, pois ele ainda veria o jogo de futebol na casa do amigo que iria junto.
Cheguei na balada me sentindo muito confiante. Nem acreditava que isso estivesse acontecendo. Se uma parte de mim dizia que poderia não acontecer nada demais, que ele poderia estar indo apenas como meu amigo, outra parte de mim dizia que não era nada disso, e que ele seria um imbecil aborígene se não quisesse nada comigo.
Cenas do próximo capítulo: Os primeiros beijos enfim acontecem... Como Flavia Melissa lidará com sua ansiedade no dia seguinte??
Escrito por F. Mel às 15h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
SEGUNDO CAPÍTULO
Um dia ele começou a namorar. Estava totalmente apaixonado pela menina. Ficamos um tempo sem nos encontrar, e quando nos vimos novamente ele me contou que tinham terminado, a menina parecia ser extremamente independente e não tinha tempo para ele... E eu pensando, “ai, ai, essa daí não soube dar valor a ele...”. E continuava ouvindo... Ouvindo... Ouvindo...
Até que um dia ele resolveu dar uma festa. Seria aniversário de um grande amigo seu, e ele cederia seu sítio para a festinha, uma private de música eletrônica. Assim, na qualidade de semi-anfitrião, poderia convidar algumas pessoas. Queria que eu fosse, e eu poderia levar algumas amigas. Me deu seu email e pediu que eu mandasse os nomes das pessoas. Disse que a festa era segredo e só algumas pessoas da academia tinham sido convidadas. Disse que teria alguns amigos para me apresentar, todos machos da melhor qualidade. Rimos juntos pensando em quem ele me apresentaria. Afinal, éramos amigos.
Só que, aí, eu já havia me cansado deste rótulo da melhor-amiga-de-caras-gostosos-que-não-tem-muitas-outras-amigas-na-academia. Eu era a única mulher convidada, pois era a amiga da galera... E isso, ao invés de me deixar sentindo orgulhosa, como antes me sentia, me irritou profundamente. Resolvi abalar Bangu: me arrumei, fiz as unhas, uma make up daquelas e fui, toda toda. Cheguei lá e já percebi a reação dos meninos em geral, inclusive do J. Ele perdeu todo o papinho de me apresentar seus amigos, e ficou bem por perto a noite toda. Quando não estava por perto ficava me olhando, vinha pedir fogo pra acender o cigarro. Na hora em que fui embora ficou decepcionado.
No dia seguinte um amigo em comum veio comentar que haviam tido comentários entre a turminha do Jiu. A galera não tinha acreditado que eu era na verdade tão bonita. E havia sido o próprio J. a comentar o fato. Mas logo depois disso sumi da academia... Primeiro machuquei o pé, fiquei com a perna inteira inchada sem poder pisar no chão. Quando me recuperei disso tive a frustração amorosa com o gatinho-preso-no-tempo-e-no-espaço-há-treze-anos, e fiquei mais quase um mês longe da academia... No total foram quase dois meses em sedentarismo total... Mas dois meses nos quais coloquei minha reeducação à prova e emagreci no total quase seis quilos...
E quando reencontrei o pessoal da academia, o comentário era um só: como eu estava mais magra, mais bonita, mais tudo! Eu começava a concordar, mas muito mis baseada nas roupinhas largas do que na imagem refletida no espelho...
O J. começou a me tratar de uma forma diferente... Eu não entendia muito bem seus olhares. Ora, éramos amigos, porque ele me olhava desse jeito? Comentei isso com minha psicóloga, e ela me disse: “bom, pelo menos alguém não está querendo ser só amigo de alguém...”... E comecei a pensar: eu queria ser amiga dele? Queria ser apenas a amiga dos caras gostosos e tatuados? Quem havia me imposto essa amizade? Quem havia determinado que era seria sempre a amiga? Que eu não poderia querer mais do que isso?
Um dia estava correndo e um cara se aproximou, e começou a conversar comigo. Depois de vários minutos conversando, ele me perguntou me nome, e quando eu disse, ele fez cara de espanto. E disse: “Ah, então vc é a Flavia, a amiga dos jiu-jiteros... Eles bem disseram mesmo, de uma amiga deles, uma loira sarada e tatuada...”. Arregalei um olho tão grande que o cara deve ter se assustado, porque logo depois saiu quase que correndo embora.
Fiquei pasma, bege, passada. Sarada... tudo bem, sei que não sou uma Maria-mole... Mas sarada? Loira sei que sou, tatuada então tenho mais do que certeza, mas sarada? Mais uma vez comentei com minha psicóloga. Ela me perguntou: “e vc já parou para pensar que exista a possibilidade, apenas uma pequena possibilidade, de que a forma com que vc se enxergue seja ligeiramente diferente da forma com que as outras pessoas a enxergam?”... Análise vale cada centavo.
No dia seguinte encontrei com o J. novamente na academia. Ele conversava com uma grande amiga minha. Combinavam uma balada, ou algo semelhante, para o feriado do dia dos namorados. Me convidaram; eu não podia, estaria viajando para Ubas com minhas amigas. “Uma pena”, disse-me ele. “Grande pena”, disse eu, com uma entonação que me soou estranha aos meus próprios ouvidos. Corri para o banheiro e enrubesci na minha própria frente: como eu pude? Flertei com o J.! Como tive coragem? Mas o fato é que, na hora em que saí do banheiro, senti um par de olhos castanhos acompanharem meu percurso até a escada.
Cenas do próximo capítulo: Começa a surgir um clima no ar... Como F. Mel vencerá sua impulsividade??
Escrito por F. Mel às 14h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
PRIMEIRO CAPÍTULO
Olá meninas!!!
Aqui estou eu, depois de mais um sumiço... E com novidade!!! Emagreci 1 quilo nesta semana, e cá estou eu com meus 62,9 de novo... e rumo aos 60!!!
Meninas, preparem-se: a coisa misteriosa será enfim revelada... Porém, em capítulos, primeiro pq tudo de uma vez não caberia mesmo. E segundo porque a história ainda não tem um final definido, e enquanto vou contando a vcs, vou vivendo a continuação do lado de cá... vamos lá...
Bom, acho que todos vcs sabem como minha adolescência foi um período conturbado para mim... Um período de muita insegurança, muita baixa-estima, muita falta de fé em mim mesma. E estes sentimentos influenciaram muito a minha forma de me relacionar com os homens.
Sempre que um homem que me interessasse demais se aproximava de mim, um cara do tipo exato que eu achava o máximo, que me fazia tremer nas bases... Se ele aparecesse eu imediatamente me defendia dele. Me colocava totalmente como amiga diante da pessoa. Muito por defesa, já que para não me sentir rejeitada, caso cogitasse algum lance entre nós, nem levava em consideração essa possibilidade. Mas também porque me considerava tão feia, mas tão feia, que não conseguia nem imaginar que talvez eu merecesse homens daquele tipo. Fortões, sarados, tatuados. Não, eles eram para as loirinhas magrinhas, tatuadas e bronzeadas.
Pois não foi muito tempo atrás que comecei a me dar conta deste meu funcionamento. Comecei a perceber que os homens não se aproximavam de mim como mulher pois eu não me apresentava como uma, e sim como uma amiga praticamente assexuada. E comecei a me revoltar diante disso. Eu não poderia culpar a ninguém, a não ser a mim mesma, por todas as privações ás quais eu mesma tinha me submetido.
Ainda em relação a ligações amorosas, sempre fui muito expansiva, daquelas de falar “te amo”, “estou com saudades”, “quero te ver”. Não conseguia guardar essas coisas para mim. Falava, mas quando – e se – ouvia um “eu também”, não me sentia satisfeita. E não imaginava o porque, até que, em uma sessão de terapia, ouvi da minha psicóloga a verdade mais óbvio e ululante do mundo: eu não me sentia satisfeita pois não queria ouvir um “eu também”. Queria ouvir os mesmos “te amo”, “estou com saudades” e “quero te ver” que eu dizia e, sem saber, impedia-me de ouvir do outro, ao qual ficava resignado a simples reposta ou confirmação do que eu já havia dito anteriormente!!
Um dia eu conversava sobre tudo isso com uma amiga querida, e ela me disse que me enxergava exatamente como eu enxergava as meninas que eu achava que, supostamente, eram as que mereciam aqueles caras delícias: estava um pouquinho acima do peso, sim. Mas era loira, bronzeada e tatuada! E eu achei muito engraçado que ela me enxergasse assim. E só, nem dei muita importância ao fato, porque eu poderia ter pintado o cabelo da cor que fosse e ter quantas tatuagens eu quisesse: eu continuava sendo a gordinha amiga.
E foi neste clima que conheci o J. O J. é um cara da academia. Primeiramente reparei nele por um motivo um tanto quanto óbvio: ele tem muitas, mas muitas tatuagens. Era tatuagem pra tudo quanto era lado... E eu sempre o via, correndo na esteira, nos treinos do jiu jitsu. Ele nem me dava bola, mas conhecia todo mundo que eu também conhecia. Às vezes vinha e ficava no transport, ao meu lado. Muito educado, dava boa-tarde quando chegava e quando saía.
Um dia uma paciente me ligou no celular, enquanto eu estava no transport com ele ao meu lado. Conversei com ela alguns minutos, e como vi que ela estava mal, pedi que fosse ao meu consultório em meia hora e eu a atenderia. Saí esbaforida e dei um tchau rapidinho. No dia seguinte nos encontramos de novo, e ele me perguntou o que eu fazia, que não tinha como não reparar na minha conversa com minha paciente. Disse que era psicóloga, que trabalhava com TAs, e ele disse que havia sido muito gordo na infância, e que até hoje sofria um pouco com a compulsão... Começamos a conversar... E continuamos nos falando sempre, quando nos encontrávamos. Descobrimos algumas coincidências: a mãe dele era atriz, e eu amava o teatro. Ela fazia análise com uma psicanalista que estava na época me dando um curso em TAs. O irmão dele fazia psicologia... Enfim, várias coisas em comum... E fomos nos tornando colegas de academia. Eu continuava achando o J. um gato! Mas ele era um daqueles caras que merecia uma loira popozuda do lado...
Até que um dia ele começou a falar de mulheres... e disse que tinha uma filha com uma ex-namorada com a qual viveu junto durante alguns anos. Comentava das mulheres, e eu me sentia a última das mortais, ouvindo aquele cara falar de outras mulheres. Mas dancei conforme a música, e comecei a falar dos meus casinhos também.
Cenas do próximo capítulo: Eis que surge uma festa, que vai mudar o rumo de tudo... Como F. Mel vencerá o estigma de “amiga” de caras gostosos??
Escrito por F. Mel às 22h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Por aqui, tudo bem...
Cais
As mais belas frases de amor são pronunciadas no silêncio de um olhar.
Palavras não proferidas encontram, na imensidão do solo fértil, a terra propícia para sua germinação.
Sensações de toques não tocados, a pele se arrepia e os temores se tornam inaudíveis.
O toque transcende o tempo e meu ser é preenchido de gozo.
Mãos e mãos, que se entrelaçam no encaixe perfeito dos dedos. Bocas se preenchem com prazeres e prazeres.
Todo o meu ser anseia por esta força, e fica difícil controlar o êxtase.
As partículas de matéria se transformam em borboletas, aparentemente sem morada, mas todas provenientes de uma única e mesma origem: o casulo escuro da não-sensação.
Tudo o que antes era pensamento agora se torna sensação.
E me sinto tão completa quanto poderia e desejaria estar.
Meninas,
Ando super corrida nos últimos tempos, fazendo milhares de coisas ao mesmo tempo. Muitas coisas têm acontecido, Deus parece estar ouvindo toda a torcida de vocês pela coisa misteriosa... Acho que em breve abrirei para todas vocês!!! Estou bem feliz com o rumo que algumas coisas tem tomado...
A dieta também está indo bem... Conversei com meu instrutor da academia e ele me orientou a não interromper o treino agora, esperar mais alguns dias... resolvi obedecer, e tenho dado mais ênfase ao trabalho aeróbico!!!
Na área profissional, algumas novidades tem surgido, espero em breve estar trabalhando bastante!!!
Devo um pedido de desculpas a vocês... pois sei que ando meio ausente, inclusive em relação às minhas visitas. Mas não há um único dia em que não pense em cada uma de vocês. Estou resolvendo algumas questões, mas em breve as coisas se normalizarão...
Taudia, Taty, Diana, Kaká, Ellen, Faldinha, Beth, Jaque, De, Alle, Pati, Lu Ex gordinha, Flavinha e bebê, Khullk, Linda, Pri, Mi, Naty, Nat, Marcinha, Catita, Psylocke, Rackesita, Joy, Gaby... AMO VOCÊS, VOCÊS MORAM NO MEU CORAÇÃO!!!!
Beijos e mais beijos apressados,

Escrito por F. Mel às 09h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
 |


|
 |